13 de fevereiro de 2026 Autismo e Evolução Há 6 milhões de anos Humanos divergiram dos Chimpanzés, passando por profundas especializações cerebrais que contribuíram para nossas habilidades cognitivas avançadas, incluindo a triplicação do tamanho do cérebro, a expansão do número de neurônios, uma conectividade mais elaborada entre neurônios e um período mais prolongado de desenvolvimento cerebral após o nascimento. Primatas Humanos e não Humanos compartilham grande semelhança tanto na sequencia de DNA quanto no número de genes, porém com a possibilidade de comparar a quantidade de cada proteína produzida por cada gene (a “expressão gênica”) em cada célula. Os pesquisadores Alexander Starr e Hunter Fraser, em artigo publicado em 2025 na Molecular Biology and Evolution, analisaram a expressão gênica pós-morte em mais de um milhão de neurônios de seis espécies, com foco em diferentes tipos de células da córtex cerebral, a região cerebral que nos ajuda a realizar tarefas cognitivas de ordem superior. Inicialmente provaram que a Evolução pode variar entre diferentes tipos de neurônios e que a expressão gênica em neurônios mais abundantes se modifica com o passar dos séculos mais lentamente do que em células menos frequentes. Mas justamente no subtipo de neurônio mais abundante em Humanos, o “Neurônio intratelencefálico das camadas corticais L2/3”, surpreendentemente, observaram o contrário no padrão de expressão gênica; há modificação em comparação com Chimpanzés. Estes neurônios podem ter relação com Autismo, e então investigaram neles a expressão de 233 genes que todos temos, mas que quando não funcionam adequadamente geram predisposição ao Autismo, e encontraram uma redução na expressão gênica. Para entender o estudo há que separar “fatos” de “hipóteses” e não confundir “causa” com “associação”. A principal hipótese é que estas diferenças de expressão gênica neste subtipo de neurônio são consistentes com uma taxa de evolução acelerada que aumenta a aptidão. Os autores especulam que a diminuição da expressão dos genes que quando não funcionam adequadamente predispõem ao Autismo poderia explicar aumento da prevalência de Autismo em Humanos. Mas sequer sabemos se as mudanças na expressão gênica nestes neurônios abundantes ocorreram antes, ao mesmo tempo ou depois da redução da expressão de genes que quando não funcionam adequadamente predispõem ao Autismo, nem se há relação causal entre estas duas mudanças. Para possibilitar melhor cognição, fala e interação social, o cérebro humano precisa mais tempo para se desenvolver, e ter atraso do desenvolvimento é um aspecto frequente em Autistas. Será que em algum momento evolutivo a expansão do cérebro humano chegou próxima do ponto de prejudicar a aptidão, e a redução da expressão de genes que quando não funcionam adequadamente predispõem ao Autismo contrabalanceou este efeito, propiciando mais tempo para o cérebro desenvolver? É importante entender que em Ciência o termo “Evolução” nem sempre significa “Melhora”. Pode até ser que milhões de anos atrás, naquele ambiente inóspito para Humanos, características consideradas autistas — como foco intenso, sistematização e interação social reduzida — tenham sido vantajosas para a sobrevivência, mas no ambiente atual não são. Portanto os resultados deste estudo não significam que há vantagem em ser Autista; o próprio critério diagnóstico de Autismo exige a presença de prejuízos na qualidade de vida. Não seria a primeira vez que a Evolução favoreceria colateralmente uma situação prejudicial a aptidão. A possibilidade de investigar a regulação da expressão gênica célula por célula, tanto em nosso cérebro quanto no de outras espécies, abre uma oportunidade única para compreendermos não só o que nos diferencia como humanos mas também os incontáveis “porquês” da neurodiversidade. Search for: Search Categorias Aconselhamento Genético Ancestralidade COVID-19 Doenças Raras Exames Genéticos Genética das Doenças Infecciosas Outros assuntos Sem categoria